Lembra quando caminhávamos juntos na praia?
As aves, retornando ao lar, passavam rasantes pelas vagas do mar.
A brisa soprava suave da terra, dando à atmosfera singular brevidade.
O céu, refletindo a luz em ângulos obtusos, se repartia em tons alaranjados, vermelhos e azuis.
No horizonte, logo abaixo do Astro-Rei, crescia a sombra de gigantes, que circundavam a extensa planície costeira com austeridade de sábios anciões.
O Sol descia lentamente...
a areia, antes clara e quente, ganhava um tom escurecido e a temperatura de um ser que morre.
Seus olhos escuros ganhavam a dimensão da noite e neles brilhava a luz da lua, que lentamente surgia por trás do oceano...
primeiramente enorme e dourada e, aos poucos, adquirindo o semblante prata...
como um reflexo do dia, iluminava a tudo em seus tons argênteos.
Na superfície do oceano cresciam então as sombras de colossos afogados, dos quais apenas os cumes observam a passagem dos dias.
Nesse momento, nossas almas compartilhavam um sentimento eterno, de valor imensurável, que dispensa qualquer contrato...
Talvez a nossa praia nunca mais tenha tanta intensidade e nem a Lua e nem o Sol brilhem tão belos, e nem o céu se mostre em tons tão amorosos. Mas aqueles momentos existirão sempre em nossas lembranças e a mim essas lembranças sempre trarão você.
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