Alucinado, vendo em cada escarro
O retrato da própria consciência!
(Augusto dos Anjos)
Vazio...grande parcela do meu interior,
conflituoso momento de inexistência.
Ao som da batida racional,
procuro entusiástico cobertor.
A Lua tem seu sorriso minguante,
as pessoas...os dentes podres...
e de seus peculiares interesses
nascem os vírus de ignorância calcificante.
Apegue-me antes nulidade,
que o nato-salto mesquinho
de sócio-intelectuais,
cuidando de suas complexidades.
Mas que não me caia a
estúpida ignorância
- câncer ingerido na infância -
que minha alma tende a redescobrir.
Vazio...não retrógrado
nem progressivo, apenas...vazio,
útil período ao recomeço.
Mas ao anarquizar o ser,
paga-se o preço
de tal entorpecer.
Que me inunde essa falta de ação,
leve a imunda terra que não presta
e deixe bruto o mineral dilacerado...
que é o que me resta...
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