Nestes tempos desgarrados,
dos Anjos me ressalta à mente.
Me recordo os vermes da Terra,
devorando as entranhas da gente.
Se vê que, neste mundo de sangue,
a ganância e a ignorância rastejam,
chafurdando os corpos em carniças,
que os obesos abutres almejam.
Onde estão as verdes gramas
e o florescer da primavera?
Existirá, ainda, um nobre futuro
onde a áurea modernidade impera?
Afinal, um dia, o suntuoso progresso
obliterará a tribal selvageria?
E, por enquanto, seguimos à deriva
na nata promessa de uma Virgem Maria...
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