É outra noite, a Lua a nós contempla.
Eu aqui, ela lá... distante.
Nós dividimos este instante,
mas quanto espaço nos enfrenta.
A visão da Lua, tão ampla, nos une
e, ao menos por agora,
enxergo tua face q'outrora
me encarava tão imune.
Imune do solitário padecer,
da plangência do miserável,
do descaminho interminável,
que zela pelo desolado ser.
Sentia eu semelhante sorte,
partilhada no passado e no presente,
mas em que a Lua, complacente,
aporta generoso corte.
Neste momento regozijamos
as recordações que dela irradia,
avistando, quem sabe, o dia
designado em nossos planos.
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