terça-feira, 13 de outubro de 2009

Niki

Correu! Correu como nunca antes houvera.
Em cada pisada um pouco daquele sentimento se esvaía para a Terra, como eletricidade que atravessa os corpos. Em cada pisada aliviava um pouco do peso do mundo, que agora se encontrava em suas costas.
Correu! Correu até fatigar-lhe todos os músculos que possuía. Até que seus pulmões, por mais cheios de ar estivessem, eram ainda insuficientes para alimentar as sôfregas células sanguíneas.
O sangue (tão vivaz!) corava todos os pontos do corpo e corria dentro dele mais do que ele corria. Tingia seus pés, onde encontrava alívio para a pressão e fluía corpo a fora. Em cada passada deixava um pouco de sua vida em manchas de vivo rubror.
Correu! Deixando esses pesos para trás, a ponto de alcançar tal leveza comparável à dos anjos que pairam nos céus. Num grito, de ouriçar os pêlos de um grinfo, de toda carga que carregava sobre a Terra se desfez. E o que era da Terra voltou à Terra, e ele, mesmo faltando-lhe asas, subiu...

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