AVISO DE GATILHO - Aborda depressão profunda
As pessoas caminham com alegria pelo calçadão - seria pela noite estrelada e sua confortável temperatura? Seria pelas férias que estão por chegar para a maioria dos diariamente suados trabalhadores? Seria pelo grandioso espírito natalino que estampa bom humor e boa educação nos rostos diariamente carrancudos? O por quê não importa tanto, o importante é a agradável aura que domina as ruas.
Porém, caminhamos entre homens e nem todos têm o mesmo sentimento, nem todos têm as mesmas oportunidades e nem todos têm o mesmo capital.
A noite está realmente confortável, caminham pelas ruas os jovens, os mais velhos, famílias, casais e todos admiram as luzes de Natal. Entre eles surpreende um rosto carrancudo, que permaneceu por um longo tempo diariamente de bom humor e bem educado, porém eventualmente as competições se acirram e alguns caem - outros despencam; e despencam anos de preparação e dedicação, despencam os amores, muitas vezes perdidos em busca do topo; despenca uma vida inteira.
Piscam as luzinhas de Natal e naquele rosto trombudo iluminam e se apagam na amargura dos rudes traços. Tocam as canções natalinas, que bela é a noite, que noite feliz. Os anjinhos e suas harpas, as renas de nariz vermelho, os algodões espalhados como neve (-patéticos), a solidariedade, a compaixão e o amor (-efêmeros como flores do deserto).
Piscam as luzinhas de Natal; as pessoas caminham com alegria, escutando as canções natalinas, maravilhadas com a noite tão serena e bela; então o carrancudo olhar solitário paira sobre famílias felizes e pára no ar - é de conhecimento que as épocas de maior alegria geral são as épocas de maior tristeza individual; é engraçado o ser humano, que em momentos de alegria não se importa com o tristeza dos outros e em momentos de tristeza deseja ver aos outros tristes também.
Piscam as luzinhas de Natal; acima de uma janela sete anjinhos tocam suas trombetas, mas as canções natalinas ganham soar fúnebre e as estrelas caem do céu, na forma de fulminantes rajadas de aflição.
Piscam as luzes da Morte; pessoas caem pelas ruas; a noite é agradável e quente, quente como o sangue que escorre pelas calçadas; pessoas acompanham as canções natalinas com agudas notas de insegurança e pavor.
O amável espírito natalino desmembra algumas famílias - como aquela criança que destrói, com um sorriso na cara, os seus estimados brinquedinhos, para depois chorar a falta de uma consciência.
A neve de algodão tingida de escarlate combina com a túnica dos afáveis e bons velhinhos espalhados nos enfeites - é a cena do nascimento e do renascimento de um homem respeitoso e solidário, traído por alguns numerários no banco e beijado na testa; um homem que realizou verdadeiros milagres para sobreviver e vendeu seu sangue e seu suor a quem desconhecia. Renasceu ele mesmo como um verdadeiro milagre de Natal e obteve a graça na forma de um conhecimento superior; elevou-se aos céus e despencou sobre o mal um verdadeiro e profundo espírito natalino.
Piscam as sirenes coloridas - ritual que se repete diariamente, mas ganha um interesse especial nesta noite, em que os seus reflexos brilham nos olhos molhados de compaixão...
No dia seguinte, olhares atentos percorrem as bancas de jornal e leem em letras grandes a notícia: JESUS, 33, PROMOVE CHACINA NO CALÇADÃO E SE MATA - é a sua redenção - nunca se vendeu tanto jornal como naquele dia.
E na banca, cravejada de balas, jovens fazem selfies e stories e o comerciante conta seu lucro,
enquanto piscam as luzinhas de Natal...
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