quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Minhas palavras

Não é poesia de poeta,
é só uma escrita desgrenhada.
Nada que se compare à concreta
inteligência da palavra engendrada.

Só jogo a caneta ao papel
de maneira pseudo-orientada
pelos doces lábios de mel
de uma Paulicéia Desvairada.

Não pingam de mim o suor
nem a vida do antigo romântico,
que caía de mal à pior
à cada verso de um cântico.

Desconheço as regras métricas,
que descrevem o vaso chinês.
Acho um exagero a estética
perfeita demais para ter clichês,

mas ainda vivem as estrelas,
brilhando nos céus de Ouro Preto
e iluminando as covas estreitas
onde brilham as larvas no peito

de um corpo que apodrece
e leva pesados rancores:
a ânsia de escarrar, se pudesse,
na boca de quem só ganhou amores.

Tomo um fósforo, acendo meu cigarro
e escrevo algumas ideias confusas.
Já um poeta esculpe do barro
a indescritível beleza de suas musas;

deixa afogar a mulher, mas
não larga sua obra mor
- escrita com tanto tenaz,
que se lhe torna o grande amor.

O poeta descreve a batalha
com profunda precisão,
como a que abateu Ismália
em sua eterna obsessão.

Como pedras, são minhas
palavras, atiradas à Geni,
pois carregam em suas linhas
as sandices que vivi

e são escritas com desleixo
de um homem sem tempo
pra fazer um verso perfeito
ou amar com tal intento...

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