Não é poesia de poeta,
é só uma escrita desgrenhada.
Nada que se compare à concreta
inteligência da palavra engendrada.
Só jogo a caneta ao papel
de maneira pseudo-orientada
pelos doces lábios de mel
de uma Paulicéia Desvairada.
Não pingam de mim o suor
nem a vida do antigo romântico,
que caía de mal à pior
à cada verso de um cântico.
Desconheço as regras métricas,
que descrevem o vaso chinês.
Acho um exagero a estética
perfeita demais para ter clichês,
mas ainda vivem as estrelas,
brilhando nos céus de Ouro Preto
e iluminando as covas estreitas
onde brilham as larvas no peito
de um corpo que apodrece
e leva pesados rancores:
a ânsia de escarrar, se pudesse,
na boca de quem só ganhou amores.
Tomo um fósforo, acendo meu cigarro
e escrevo algumas ideias confusas.
Já um poeta esculpe do barro
a indescritível beleza de suas musas;
deixa afogar a mulher, mas
não larga sua obra mor
- escrita com tanto tenaz,
que se lhe torna o grande amor.
O poeta descreve a batalha
com profunda precisão,
como a que abateu Ismália
em sua eterna obsessão.
Como pedras, são minhas
palavras, atiradas à Geni,
pois carregam em suas linhas
as sandices que vivi
e são escritas com desleixo
de um homem sem tempo
pra fazer um verso perfeito
ou amar com tal intento...
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